simbolismo dalí

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temas de eleição na obra de Salvador Dalí

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  • O SIMBOLISMO NA OBRA DE

    SALVADOR DAL

  • EXPOSIO:

    O SIMBOLISMO NA OBRA DE SALVADOR DAL

    TEATRO MUSEU DAL

    Julho Setembro

    No Teatro Museu Dali, dedicado ao artista

    Salvador Dal realizar-se- uma exposio

    inerente aos seus temas de eleio - relgios,

    paisagens irreais, imagens duplas, animais,

    alimentao, entre outro tipo de objetos

    com exibio de obras das respetivas

    temticas, entre os meses de Julho e

    Setembro.

    GIRONA, ESPANHA

  • SURREALISMO

    Considerado o movimento mais forte e controverso do

    perodo entre guerras, o Surrealismo foi profundamente ligado a

    uma filosofia de pensamento e aco, em que a liberdade era

    extremamente valorizada e sucedeu ao impulso anrquico dos

    dadastas e ao contrrio destes pretendiam definir uma tendncia

    artstica que fugisse ao tradicional.

    O surrealismo nasce nos anos vinte com um conjunto de

    poetas e artistas plsticos, liderado por Andre Breton, aps a

    publicao do primeiro manifesto surrealista em 1924 e a edio

    at 1929 da revista A Revoluo Surrealista.

    O Surrealismo pretendia explorar o impulso criativo do

    subconsciente, valorizando um anti-racionalismo, a livre

    associao de pensamentos e os sonhos, orientado pelas teorias

    psicanalticas de Freud ditadura do pensamento.

    () no aceitar nenhuma ideia ou imagem que

    pudessem dar lugar a uma explicao racional, psicolgica ou

    culturalacolher apenas imagens que impressionavam sem se

    saber o porqu.

    Os sonhos e o desejo so o material predilecto dos

    surrealistas que se caracteriza tambm por representaes de

    formas baseadas na fantasia, nos sonhos, no inconsciente na

    hipnose, nos estados de transe e na loucura. H uma procura da

    perfeio do desenho e das cores, adora jogar com o espao real e

    o ilusrio, desassocia imagens das legendas conduzindo ao

    mundo dos sonhos, do desejo e da ironia.

    As principais temticas do Surrealismo eram a

    feminilidade, a loucura e a psicanlise. Encontramos estas

    problemticas quer em publicaes quer nas obras dos pintores.

    Aos olhos dos surrealistas a mulher era vista como uma musa,

    dona da chave do inconsciente, inspirao criao artstica, que

    transmite uma sensualidade enigmtica.

  • OBRA DE SALVADOR DALI

    Transcrevo simplesmente os meus pensamentos, e tento

    concretizar as minhas vises mais exacerbadas e fugitivas: tudo o

    que misterioso, incompreensvel, pessoal, nico, aquilo que me

    vem cabea.

    Desde os anos quarenta que Dali se distanciou da pintura

    de vanguarda, integrando o grupo surrealista em 1929, o qual

    mais tarde se extinguiu, mas a sua pintura continuou a seguir as

    premissas do surrealismo, no fim de conta diz-se que Salvador

    Dali foi o pai do surrealismo. As suas primeiras obras datam de

    1917, as quais j demonstravam a sua aptido para o desenho e o

    cuidado com a composio.

    A sua primeira exposio foi em 1929, em Paris, pouco

    tempo depois de ingressar no grupo surrealista. Os seus temas de

    eleio e muitas vezes presentes na sua obra so os relgios

    moles, as figuras duplas, os alimentos e organismos em

    putrefaco, a morte e o desejo, as duas ltimas por vezes

    imagens ambguas como faces falseadas de uma s moeda, Para

    mim, o erotismo deve ser sempre feio, o esttico divino e a morte

    bela. E transmite a sua natureza sadomasoquista atravs dos

    instrumentos afiados e ferramentas para amputaes, presentes

    em alguns trabalhos e h tambm uma clara representao da

    impotncia, preocupao e medo do sexo.

    My whole ambition in the pictorial domain is to

    materialize the images of my concrete irrationality with the most

    imperialist fury of precision. () Paranoiac-critical activity

    organizes and objectifies in an exclusivist manner the limitless

    and unknown possibilities of the systematic association of

    subjective and objective significance in the irrational.

    A nvel formal visvel o rigor nas composies, o

    domnio do equilbrio, um controlo da paleta cromtica e um

    realismo fotogrfico. O reconhecimento da sua obra caminhou a

    par da polmica, durante toda a sua carreira.

  • DAL E A TEORIA FREUDIANA

    Freud considerava que nos sonhos, existem nitidamente

    elementos do ser moral de cada sujeito, que estes no so

    distorcidos ou encobertos. Portanto os sonhos revelam o lado mau

    de cada sujeito. Os sonhos tm um significado mais complexo

    que aquele que nos parece bvio no primeiro momento.

    A procura da liberdade, contestao, explorao do

    mundo complexo do inconsciente pelos surrealistas, tornou este

    movimento um dos mais importantes e mediticos da arte

    moderna.

    Durante os anos 20, enquanto o Ocidente ultrapassava a

    destruio da Primeira Guerra Mundial, este grupo de artistas

    ligava o amor poltica, e o quotidiano ao sonho, abrindo portas

    rotina, pretendendo libertar o homem de seus desejos, para que

    este ousa-se realiz-los. O movimento prope esquecer a lgica,

    esquecer as imagens pr-existentes e fixadas h j muito tempo.

    A cincia do sonho tornou-se extremamente importante

    para Dal e Freud elogiou esse seu interesse e dedicao. It was

    one of the greatest discoveries of my life. I was obsessed by the

    vice of self-interpretationnot just of my dreams but of

    everything that happened to me, however accidental it might at

    first seem.

    Dal identifica seis categorias de objectos surrealistas: os

    objectos de funcionamento simblico (origem automtica);

    objectos transubstanciais (origem afectiva); objectos a ser

    projectados (origem onrica); objectos embrulhados (fantasias

    experimentais) e objectos moldados (origem hipnaggica).

  • RELGIOS

    Os famosos relgios moles de Salvador Dal sugerem a

    teoria de Einstein, onde o tempo relativo e no fixo, a

    preocupao humana com o tempo e com a memria.

    () a imagem tem implicaes profundas, aludindo

    relatividade de interaco do espao-tempo, ou seja, chamada

    quarta-dimenso.

    O crculo (relgio) smbolo de totalidade, de integrao

    e de harmonia. O pintor ao deformar estes objectos acaba com

    essa sensao de harmonia. Os relgios como mquinas

    autmatas esto mais uma vez associados ao movimento

    perptuo. Representam a omnipresena do tempo, e identifica o

    seu domnio sobre os seres humanos.

    Dal no representa apenas relgios moles mas tambm

    outros objectos que so na realidade slidos e este tipo de

    representao () indica a sua condio de espectro ou

    fantasma, de consciente vestgio do mundo do sonho, o que torna

    a sua funcionalidade normal impossvel. O malevel na obra de

    Dal significa o que digervel, substancial, ao contrrio do duro

    que impenetrvel e irredutvel, como por exemplo os rochedos

    que ele varias vezes representa. Descharnes equipara este

    antagonismo delrio gtico de Gaudi, que segundo Dal os

    edifcios eram construdos para loucos e erotomanacos.

    La persistencia de la Memoria, 1931

  • AS PAISAGENS IRREAIS

    As paisagens exploradas por Dal so vazias, a referncia

    ao horizonte causa uma sensao de abismo, precipcio e uma

    certa instabilidade desconfortante do subconsciente.

    A utilizao sistemtica do laranja e do violeta nas suas

    paisagens confessa Dal () criava em mim uma espcie de

    iluso e satisfao() e reconhece que depois de algum tempo

    na priso teve como nico resultado o ter alcanado uma

    sequncia de cores ainda mais vivas dos episdios anedticos da

    minha vida..

    No caso do deserto atribuda uma conotao negativa,

    considerando-o o domnio da abstrao, que se encontra fora do

    campo revigorante e existencial.

    la recherche de la quatinne dimension, 1979

  • IMAGENS DUPLAS/ INVISVEIS

    Como acontecia no Barroco, tambm Salvador Dal se

    interessou por anamorfoses ou imagens deformadas, que

    aparecem conforme o nosso ponto de vista e tornou-se um dos

    seus temas favoritos pintando diversas obras. Defendia que () a

    capacidade de assumir a dupla leitura destes quadros por parte

    do espectador depende do seu grau de parania, ou seja, da sua

    capacidade para ordenar sistematicamente as alucinaes

    produto do sonho.

    Le torro hallucinogne, 1968-1970

  • ANIMAIS

    Salvador Dal em toda a sua obra pintou frequentemente

    animais e nunca surgiram como motivo pictrico primrio.

    Formigas, elefantes e cabeas de leo so frequentes

    intermedirios na mensagem inconsciente do surrealismo

    daliniano.

    Os elefantes representam o futuro, so uma alegoria da

    inteligncia, temperana, eternidade, piedade e devoo

    (emblemtica que surge na Idade Mdia). Quando estes surgem

    carregando obeliscos simbolizam o poder e a dominao (aluso

    uma tradio indiana), sem esquecer que os obeliscos contm

    uma conotao flica segundo Freud, devido sua forma

    pontiaguda, e Dal representa-os inspirando-se na escultura de

    Gian Lorenzo Bernini. O elefante surge-nos tambm como uma

    distoro do espao, tm longas, magras e frgeis pernas e os ps

    esto presos ao cho, uma metfora, que representa o Homem

    preso terra pela gravidade, mas que pode chegar aos lugares

    mais altos, () eles iniciam o tema da levitao.

    Com apenas cinco anos Dal viu um formigueiro a

    devorar um insecto do qual restou somente a